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Os rins participam da eliminação de muitos medicamentos e de seus metabólitos. Quando a função renal está reduzida, alguns remédios podem permanecer por mais tempo no organismo, precisar de ajuste de dose ou, em determinadas circunstâncias, contribuir para uma piora da função dos rins.

Isso não significa que pacientes com doença renal devam evitar medicamentos de maneira indiscriminada. Muitos são essenciais para controlar diabetes, hipertensão, doenças cardiovasculares e outras condições que, quando não tratadas, também podem prejudicar os rins. O ponto principal é utilizar cada medicamento com indicação, dose e acompanhamento adequados.

Na Clínica de Nefrologia Renal Brasil, em São Paulo, a revisão dos medicamentos utilizados pelo paciente faz parte do acompanhamento nefrológico, especialmente diante de insuficiência renal, alterações nos exames ou necessidade de hemodiálise/hemodiafiltração.

Por que quem tem doença renal precisa ter mais cuidado com medicamentos?

Uma das funções dos rins é filtrar o sangue e eliminar determinadas substâncias pela urina.

Quando ocorre redução da função renal, alguns medicamentos podem não ser eliminados na velocidade esperada. Como consequência, suas concentrações no organismo podem aumentar e elevar o risco de efeitos adversos.

Além disso, existem medicamentos que podem interferir:

Por isso, conhecer a função renal do paciente ajuda o médico a decidir qual medicamento utilizar, em qual dose e com que frequência.

Anti-inflamatórios exigem atenção especial

Os anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) estão entre os medicamentos que mais merecem atenção em pessoas com doença renal ou risco aumentado de lesão nos rins.

Alguns exemplos de princípios ativos dessa classe incluem:

Esses medicamentos podem reduzir o fluxo sanguíneo para os rins em determinadas circunstâncias e favorecer lesão renal aguda, especialmente quando associados a fatores como desidratação, idade avançada, insuficiência cardíaca ou doença renal preexistente.

Também podem contribuir para retenção de líquidos, elevação da pressão arterial e alterações do potássio.

Isso não significa que um anti-inflamatório nunca possa ser utilizado. A decisão deve considerar riscos, benefícios, dose e duração do tratamento.

Para quem possui doença renal, a automedicação com anti-inflamatórios deve ser evitada.

E os medicamentos para pressão arterial?

Alguns medicamentos utilizados no controle da hipertensão também atuam sobre mecanismos relacionados aos rins.

Entre eles estão os inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA) e os bloqueadores dos receptores de angiotensina (BRA).

Essas classes podem ser muito importantes para pacientes com hipertensão, diabetes, insuficiência cardíaca e determinados tipos de doença renal, inclusive por seus efeitos de proteção renal em situações específicas.

Entretanto, podem provocar alterações na creatinina e no potássio, principalmente após o início do tratamento ou mudanças de dose.

Por esse motivo, o médico pode solicitar exames periódicos.

Não suspenda medicamentos para pressão por conta própria ao descobrir que possui doença renal. Em muitos pacientes, interromper um tratamento indicado pode ser mais prejudicial do que mantê-lo sob monitoramento.

Diuréticos também precisam de acompanhamento

Os diuréticos aumentam a eliminação de sódio e água e são frequentemente utilizados no tratamento da hipertensão, inchaço e insuficiência cardíaca.

Em pacientes com doença renal, podem ser importantes para controlar o excesso de líquidos.

Entretanto, doses inadequadas ou situações como vômitos, diarreia e baixa ingestão de líquidos podem favorecer desidratação e alterações de:

A dose deve ser ajustada conforme a situação clínica.

Medicamentos para diabetes e função renal

Pacientes com diabetes apresentam risco aumentado de desenvolver doença renal, mas o tratamento adequado da glicemia é justamente uma das principais formas de proteção dos rins.

Alguns medicamentos para diabetes precisam ter sua indicação ou dose reavaliada conforme a Taxa de Filtração Glomerular (TFG).

Outros medicamentos mais recentes podem oferecer benefícios renais e cardiovasculares para determinados grupos de pacientes.

A escolha depende de fatores como:

Por isso, o tratamento deve ser acompanhado pelo médico, sem interrupções ou substituições feitas por conta própria.

Antibióticos podem precisar de ajuste?

Sim. Diversos antibióticos são eliminados parcial ou predominantemente pelos rins.

Quando existe insuficiência renal, pode ser necessário modificar a dose ou o intervalo entre as administrações.

Alguns antibióticos também apresentam maior potencial de causar toxicidade renal em determinadas circunstâncias.

Isso torna especialmente importante informar ao médico sobre a existência de doença renal antes de iniciar um tratamento para infecção.

Ao mesmo tempo, uma infecção não tratada adequadamente também pode trazer riscos graves. Portanto, o objetivo não é evitar antibióticos, mas utilizá-los corretamente.

Contraste utilizado em exames exige cuidados?

Alguns exames de imagem utilizam meios de contraste. Dependendo do tipo de contraste, da função renal e das demais condições clínicas, podem ser necessários cuidados específicos.

Antes de realizar um exame com contraste, informe à equipe caso tenha:

A equipe poderá avaliar o risco e definir as medidas apropriadas para o caso.

Ter doença renal não significa automaticamente que todos os exames com contraste estejam proibidos.

Analgésicos são seguros para os rins?

Depende do medicamento, da dose, da frequência de uso e das condições clínicas do paciente.

O fato de um medicamento ser vendido sem receita não significa que seja seguro para todas as pessoas.

Pacientes com doença renal devem conversar com o médico antes de utilizar analgésicos repetidamente, principalmente quando a dor é frequente e exige uso prolongado de medicamentos.

Além do risco renal, alguns analgésicos apresentam outros riscos importantes quando utilizados acima das doses recomendadas.

Medicamentos para azia e refluxo merecem atenção?

Alguns medicamentos utilizados para problemas gástricos são consumidos durante meses ou anos sem reavaliação.

Determinadas classes podem, raramente, estar relacionadas a alterações renais, enquanto produtos que contêm alguns minerais podem exigir atenção especial em pacientes com insuficiência renal avançada.

Por isso, medicamentos de uso contínuo para azia, refluxo ou problemas digestivos também devem constar na lista apresentada ao nefrologista.

Vitaminas e suplementos também podem afetar os rins?

Sim. Um produto ser vendido como “natural” não significa que seja automaticamente seguro para pessoas com doença renal.

Vitaminas, minerais, suplementos esportivos, compostos fitoterápicos e produtos à base de ervas podem:

Suplementos contendo potássio, fósforo ou magnésio, por exemplo, podem exigir atenção especial dependendo do estágio da doença renal.

Antes de iniciar qualquer suplemento, converse com o nefrologista ou nutricionista responsável.

Medicamentos podem alterar o potássio?

Sim.

O potássio precisa permanecer dentro de uma faixa adequada para o funcionamento dos músculos, inclusive do coração.

Na insuficiência renal, a capacidade de eliminar potássio pode estar reduzida. Alguns medicamentos podem aumentar ainda mais seus níveis.

Por outro lado, outros tratamentos podem diminuir o potássio.

Por isso, pacientes com doença renal frequentemente realizam exames para monitorar esse eletrólito. Alterações importantes podem representar risco e precisam ser tratadas adequadamente.

Quem realiza hemodiálise/hemodiafiltração precisa de cuidados diferentes?

Sim. Pacientes em hemodiálise/hemodiafiltração geralmente utilizam vários medicamentos para controlar diferentes aspectos da insuficiência renal e de outras doenças associadas.

Além disso, a diálise pode remover alguns medicamentos do sangue em diferentes proporções.

Por esse motivo, o horário da medicação em relação às sessões pode ser importante em determinados casos.

A equipe pode orientar se um medicamento deve ser utilizado antes ou depois da sessão. O paciente não deve modificar sozinho o horário ou deixar de tomar uma dose porque terá tratamento naquele dia.

E após um transplante renal?

O cuidado com medicamentos torna-se ainda mais importante depois do transplante renal.

Os imunossupressores utilizados para prevenir a rejeição precisam ser tomados rigorosamente conforme a prescrição.

Além disso, outros medicamentos, suplementos e fitoterápicos podem interferir nos níveis dos imunossupressores ou aumentar o risco de efeitos adversos.

Por isso, pacientes transplantados devem informar à equipe antes de iniciar qualquer novo medicamento.

Quais sinais podem indicar um problema relacionado aos medicamentos?

Os sintomas variam bastante e muitas alterações renais inicialmente não provocam sinais perceptíveis.

Entretanto, procure orientação médica diante de manifestações como:

Sintomas intensos, de início súbito ou associados a importante redução da urina podem exigir atendimento imediato.

Como utilizar medicamentos com mais segurança?

Algumas atitudes simples ajudam a reduzir riscos:

Também é importante evitar utilizar medicamentos prescritos para familiares ou amigos, mesmo que os sintomas sejam semelhantes.

Por que creatinina e TFG são importantes para definir as doses?

A creatinina ajuda a estimar a capacidade de filtração dos rins. A partir dela e de outras informações, calcula-se a Taxa de Filtração Glomerular (TFG).

Para diversos medicamentos, a função renal influencia a dose ou o intervalo de administração.

Isso significa que uma dose adequada para uma pessoa com função renal normal pode não ser a mesma para um paciente com insuficiência renal.

Além disso, a função renal pode mudar com o tempo. Por isso, tratamentos de uso contínuo precisam ser reavaliados periodicamente.

O papel do nefrologista na segurança dos medicamentos

O nefrologista pode revisar o conjunto de medicamentos utilizados e avaliar possíveis impactos sobre a função renal.

Essa avaliação é especialmente importante para pacientes que:

O cuidado também pode envolver outros profissionais, como cardiologistas, endocrinologistas, farmacêuticos e nutricionistas.

Acompanhamento na Clínica Renal Brasil

A Clínica de Nefrologia Renal Brasil, localizada em São Paulo, acompanha pacientes em diferentes estágios da doença renal, com equipe experiente, atendimento humanizado e infraestrutura moderna.

Entre os serviços oferecidos estão:

Para quem convive com doença renal, o objetivo não é simplesmente evitar medicamentos. O mais importante é garantir que cada tratamento seja realmente necessário, utilizado na dose adequada e acompanhado de acordo com a função dos rins. Manter a equipe informada sobre todos os medicamentos, inclusive aqueles vendidos sem receita e suplementos, é uma atitude simples que pode prevenir complicações e tornar o tratamento mais seguro.