Para pacientes que precisam realizar hemodiálise/hemodiafiltração, ter um acesso vascular adequado é uma parte importante do tratamento. Entre as opções disponíveis, a fístula arteriovenosa (FAV) costuma ser o acesso de preferência para muitos pacientes quando há condições clínicas e vasculares favoráveis.
A fístula permite que o sangue seja retirado e devolvido ao organismo com fluxo adequado durante as sessões. Como é utilizada repetidamente, exige cuidados antes e depois de cada tratamento para reduzir o risco de complicações e preservar seu funcionamento pelo maior tempo possível.
Na Clínica de Nefrologia Renal Brasil, em São Paulo, pacientes com insuficiência renal recebem acompanhamento especializado durante a preparação e a realização da hemodiálise/hemodiafiltração, com equipe experiente, infraestrutura moderna e atendimento humanizado.
O que é uma fístula arteriovenosa?
A fístula arteriovenosa é uma conexão criada cirurgicamente entre uma artéria e uma veia, geralmente no braço.
As artérias transportam sangue sob maior pressão, enquanto as veias possuem paredes mais delicadas. Quando uma artéria é conectada a uma veia, o aumento do fluxo sanguíneo faz com que essa veia se desenvolva gradualmente, tornando-se mais calibrosa e resistente.
Esse processo permite que, posteriormente, a fístula seja utilizada para as punções necessárias durante a hemodiálise/hemodiafiltração.
Por que é necessário um acesso vascular?
Na hemodiálise e na hemodiafiltração, uma determinada quantidade de sangue precisa circular continuamente entre o paciente e o equipamento.
Durante o tratamento, o sangue:
- Sai do organismo pelo acesso vascular;
- Circula pelo equipamento e pelo dialisador;
- Passa pelo processo de remoção de toxinas e excesso de líquidos;
- Retorna ao paciente.
Para que esse processo aconteça de maneira eficiente, é necessário um acesso capaz de proporcionar fluxo sanguíneo adequado.
Fístula, cateter e enxerto são a mesma coisa?
Não. Existem diferentes tipos de acesso vascular.
Fístula arteriovenosa
É confeccionada utilizando os próprios vasos sanguíneos do paciente. Quando possível e apropriada para o caso, costuma ser preferida para tratamentos de longa duração por apresentar vantagens relacionadas à durabilidade e menor risco de determinadas complicações em comparação com cateteres.
Enxerto vascular
Quando os vasos do paciente não permitem a criação de uma fístula adequada, pode ser utilizado um material sintético para estabelecer a conexão entre uma artéria e uma veia.
Cateter venoso
O cateter é introduzido em uma veia de grande calibre. Pode ser necessário quando a terapia precisa começar antes de uma fístula estar disponível ou em situações nas quais outros acessos não são possíveis.
Cada alternativa possui indicações, vantagens e riscos. A escolha deve ser individualizada pela equipe responsável.
Como é criada a fístula arteriovenosa?
Antes da cirurgia, o paciente passa por uma avaliação dos vasos sanguíneos dos braços. Em alguns casos, pode ser solicitado um ultrassom Doppler para analisar o calibre e o fluxo das artérias e veias.
Com essas informações, a equipe define o local mais adequado para criar a fístula.
O procedimento é realizado por um profissional habilitado em ambiente apropriado. Após a cirurgia, a fístula precisa de um período para se desenvolver antes de ser utilizada regularmente.
O que é a maturação da fístula?
Depois da criação da FAV, ela normalmente não está pronta para uso imediato.
O aumento do fluxo sanguíneo faz com que a veia fique progressivamente maior e mais resistente. Esse processo é chamado de maturação da fístula.
O tempo necessário varia de acordo com as características dos vasos e a condição clínica de cada paciente. Por isso, sempre que possível, o planejamento do acesso vascular deve começar antes da necessidade urgente de diálise.
A equipe avaliará quando a fístula apresenta condições adequadas para as punções.
Como saber se a fístula está funcionando?
Uma das características mais conhecidas de uma FAV em funcionamento é uma vibração que pode ser percebida ao tocar suavemente a região.
Essa sensação é chamada de frêmito.
O paciente pode ser orientado pela equipe a verificar regularmente a presença dessa vibração. Com o tempo, conhecer o padrão habitual da própria fístula ajuda a perceber alterações.
Se o frêmito desaparecer ou mudar de maneira importante, a equipe deve ser avisada rapidamente.
Isso pode indicar redução do fluxo ou formação de um coágulo, situações que precisam de avaliação.
Quais cuidados o paciente deve ter com a fístula?
A preservação da FAV depende tanto do acompanhamento profissional quanto dos cuidados cotidianos.
1. Mantenha o braço e a região da fístula limpos
A higiene ajuda a reduzir o risco de infecções.
Antes das sessões, siga as orientações da equipe sobre a limpeza da pele.
2. Observe a fístula todos os dias
Preste atenção a alterações como:
- Vermelhidão;
- Calor local;
- Inchaço;
- Dor;
- Secreção;
- Mudanças na pele;
- Alteração ou ausência do frêmito.
Qualquer mudança significativa deve ser comunicada à equipe.
3. Evite pressão excessiva sobre o braço
Compressões prolongadas podem prejudicar o fluxo sanguíneo.
É recomendável evitar:
- Dormir sobre o braço da fístula;
- Usar roupas ou acessórios muito apertados;
- Carregar objetos de forma que comprimam diretamente o acesso.
As orientações sobre esforço e levantamento de peso devem ser individualizadas, especialmente após a cirurgia.
4. Evite medir a pressão arterial no braço da fístula
Sempre que houver alternativa, a pressão arterial não deve ser aferida no membro da FAV.
Ao passar por consultas ou outros serviços de saúde, informe aos profissionais que possui uma fístula naquele braço.
5. Evite coletas de sangue e acessos venosos nesse braço
Punções desnecessárias podem causar lesões e comprometer vasos importantes.
Sempre avise que o braço possui um acesso para hemodiálise/hemodiafiltração.
6. Não coce ou manipule o local das punções
Após as sessões, podem surgir pequenas crostas nos pontos utilizados pelas agulhas.
Evite removê-las ou manipular excessivamente a região, pois isso pode aumentar o risco de sangramento e infecção.
Como cuidar da fístula depois da sessão?
Após a retirada das agulhas, é necessário fazer compressão nos pontos de punção até que o sangramento pare.
Essa compressão deve ser suficiente para controlar o sangramento, mas seguir exatamente as orientações da equipe é importante para não comprometer desnecessariamente o fluxo da fístula.
O curativo também deve ser mantido pelo período recomendado.
Se houver sangramento que não para com as medidas orientadas pela equipe, procure atendimento.
Quais complicações podem ocorrer?
Mesmo com os cuidados adequados, algumas complicações podem acontecer.
Trombose
É a formação de um coágulo que pode bloquear parcial ou totalmente a fístula.
A ausência repentina do frêmito é um importante sinal de alerta.
Estenose
É o estreitamento de uma região do vaso, podendo reduzir o fluxo sanguíneo e prejudicar a eficiência do acesso.
Infecção
Embora a fístula apresente menor risco de infecção do que determinados tipos de cateter, infecções ainda podem ocorrer.
Sinais como vermelhidão, calor, dor, secreção e febre precisam ser avaliados.
Aneurismas e alterações na parede do vaso
O uso repetido da fístula pode provocar dilatações em determinadas regiões. Alterações no tamanho, na pele ou no formato do acesso devem ser mostradas à equipe.
Quando procurar atendimento rapidamente?
Algumas alterações não devem ser ignoradas.
Entre os principais sinais de alerta estão:
- Desaparecimento do frêmito;
- Sangramento persistente;
- Dor intensa ou aumento súbito do inchaço;
- Vermelhidão importante ou secreção;
- Febre associada a alterações na fístula;
- Mão muito fria, dolorosa, pálida ou com alteração de sensibilidade;
- Mudanças importantes na aparência da fístula.
Uma avaliação rápida pode aumentar as chances de preservar o acesso e evitar complicações maiores.
Por que planejar a fístula antes de iniciar hemodiálise/hemodiafiltração?
Pacientes com doença renal crônica avançada podem se beneficiar de um planejamento antecipado da terapia renal substitutiva.
Quando existe a possibilidade de necessidade futura de hemodiálise/hemodiafiltração, o nefrologista pode avaliar antecipadamente o acesso vascular.
Esse planejamento é importante porque a fístula precisa de tempo para amadurecer. Quando a terapia precisa começar de forma emergencial e não existe uma FAV pronta, pode ser necessário utilizar temporariamente outro tipo de acesso.
Por isso, manter acompanhamento regular com o nefrologista durante a progressão da insuficiência renal permite tomar decisões com mais antecedência.
A fístula interfere nas atividades do dia a dia?
Após a recuperação da cirurgia e com liberação da equipe, muitos pacientes conseguem realizar normalmente grande parte das atividades cotidianas.
Entretanto, é importante proteger o braço contra traumas e evitar situações que comprimam diretamente a fístula.
A prática de atividade física também pode ser possível, mas deve ser adaptada às condições do paciente. Exercícios envolvendo o braço da FAV precisam seguir as orientações da equipe responsável, especialmente durante a fase de maturação.
A fístula é utilizada tanto na hemodiálise quanto na hemodiafiltração?
Sim. Tanto a hemodiálise quanto a hemodiafiltração necessitam de um acesso vascular capaz de fornecer fluxo sanguíneo adequado.
Embora as duas modalidades utilizem circulação extracorpórea, elas não são exatamente iguais.
Na hemodiálise, a remoção de muitas toxinas ocorre principalmente pelo mecanismo de difusão. Já a hemodiafiltração associa difusão à convecção, aumentando a remoção de determinadas moléculas de tamanho médio.
A modalidade indicada deve ser definida pelo nefrologista conforme as características clínicas de cada paciente.
O acompanhamento da Clínica Renal Brasil
Na Clínica de Nefrologia Renal Brasil, localizada em São Paulo, o paciente com insuficiência renal recebe acompanhamento durante as diferentes etapas do tratamento.
A clínica conta com equipe experiente, atendimento humanizado e infraestrutura moderna e oferece:
- Consultas nefrológicas;
- Hemodiálise;
- Hemodiafiltração;
- Diálise peritoneal;
- Acompanhamento pré e pós-transplante renal;
- Suporte multidisciplinar ao paciente renal.
O acompanhamento contínuo também permite observar o funcionamento do acesso vascular e orientar o paciente sobre os cuidados necessários durante o tratamento.
A fístula arteriovenosa é uma parte importante da terapia para muitos pacientes que realizam hemodiálise/hemodiafiltração. Conhecer o próprio acesso, observar diariamente seu funcionamento e comunicar rapidamente qualquer alteração são atitudes que ajudam a preservar a fístula e contribuem para a segurança e continuidade do tratamento.