Receber a indicação para iniciar hemodiálise/hemodiafiltração pode trazer dúvidas, insegurança e mudanças importantes na rotina. Entender antecipadamente como o tratamento funciona, quais cuidados serão necessários e como se preparar pode tornar essa fase mais organizada e tranquila para o paciente e sua família.
A hemodiálise e a hemodiafiltração são modalidades diferentes de terapia renal substitutiva. Embora ambas utilizem circulação extracorpórea para remover toxinas e excesso de líquidos do sangue, existem diferenças na maneira como essa remoção acontece. A escolha da modalidade deve ser individualizada e realizada pelo nefrologista de acordo com as condições clínicas e necessidades de cada paciente.
Na Clínica de Nefrologia Renal Brasil, em São Paulo, pacientes com insuficiência renal contam com equipe experiente, atendimento humanizado e infraestrutura moderna para acompanhamento antes e durante o tratamento.
Por que pode ser necessário iniciar hemodiálise/hemodiafiltração?
Os rins desempenham funções fundamentais, como eliminar resíduos do sangue, controlar o excesso de líquidos e ajudar a manter o equilíbrio de minerais e do organismo.
Quando ocorre insuficiência renal avançada, essas funções podem ficar seriamente comprometidas.
Nesse momento, o nefrologista pode avaliar a necessidade de uma terapia renal substitutiva.
A decisão de iniciar o tratamento não depende apenas de um valor isolado de creatinina ou da Taxa de Filtração Glomerular (TFG). O médico considera o conjunto do quadro clínico, incluindo sintomas, exames laboratoriais, capacidade de eliminar líquidos e possíveis complicações.
Qual é a diferença entre hemodiálise e hemodiafiltração?
Apesar de utilizarem equipamentos e princípios semelhantes, hemodiálise e hemodiafiltração não são exatamente o mesmo tratamento.
Hemodiálise
Na hemodiálise, o sangue circula por um filtro chamado dialisador. A remoção de muitas substâncias ocorre principalmente por difusão, processo em que moléculas passam através de uma membrana de acordo com diferenças de concentração.
Também ocorre a retirada controlada do excesso de líquidos.
Hemodiafiltração
A hemodiafiltração combina a difusão utilizada na hemodiálise com um mecanismo chamado convecção.
Nesse processo, volumes maiores de líquido atravessam a membrana do filtro, favorecendo a remoção de determinadas moléculas de tamanho médio. Para isso, utiliza-se líquido de substituição produzido sob rigorosos padrões de qualidade.
A hemodiafiltração, especialmente quando realizada com volumes convectivos adequados, pode oferecer vantagens para determinados pacientes. Entretanto, a modalidade mais apropriada precisa ser definida individualmente pelo nefrologista.
Como o paciente é preparado antes de começar?
A preparação ideal começa antes da primeira sessão, principalmente quando a doença renal crônica é identificada e acompanhada com antecedência.
O nefrologista pode solicitar:
- Exames de sangue e urina
- Avaliação da função renal
- Dosagem de eletrólitos, como potássio
- Hemograma e avaliação da anemia
- Avaliação do metabolismo mineral
- Investigação de doenças cardiovasculares
- Revisão dos medicamentos utilizados
Também é um momento importante para conversar sobre alimentação, líquidos, rotina e as diferentes possibilidades de terapia renal substitutiva.
O acesso vascular: uma etapa fundamental
Para realizar hemodiálise/hemodiafiltração, é necessário um acesso que permita retirar e devolver o sangue ao organismo com fluxo adequado.
Existem diferentes tipos.
Fístula arteriovenosa
A fístula arteriovenosa (FAV) é criada cirurgicamente pela união de uma artéria com uma veia, geralmente no braço.
Depois da cirurgia, a veia precisa de um período para se desenvolver e ficar adequada às punções utilizadas durante as sessões. Por isso, quando possível, o planejamento deve ocorrer antes da necessidade imediata de iniciar o tratamento.
Enxerto vascular
Em determinadas situações, pode ser utilizado um material específico para conectar uma artéria a uma veia e criar o acesso necessário.
Cateter venoso
O cateter pode ser necessário quando o tratamento precisa começar rapidamente ou quando ainda não existe outro acesso vascular disponível.
A escolha depende da situação clínica de cada paciente.
Como cuidar da fístula?
Quando o paciente possui uma fístula arteriovenosa, alguns cuidados ajudam a protegê-la.
É importante seguir as orientações da equipe e:
- Manter o local limpo
- Observar alterações na pele
- Evitar compressões desnecessárias sobre o braço da fístula
- Não permitir aferição da pressão arterial nesse braço, salvo orientação específica da equipe
- Evitar coleta de sangue ou acesso venoso nesse membro quando houver alternativa
- Comunicar dor, vermelhidão, calor ou sangramento
O paciente também pode receber orientação para reconhecer a vibração característica da fístula. Uma mudança ou desaparecimento dessa sensação deve ser comunicada à equipe.
O que esperar da primeira sessão?
Antes do início, a equipe verifica informações importantes, como:
- Peso
- Pressão arterial
- Condições do acesso vascular
- Sintomas apresentados
- Quantidade de líquido que poderá precisar ser removida
Durante a sessão, o sangue passa pelo equipamento e retorna ao organismo após o processo de tratamento.
A duração e a frequência das sessões não são iguais para todos. Muitos pacientes realizam tratamento algumas vezes por semana, mas a prescrição depende da função renal residual, dos exames, do peso, da quantidade de líquidos acumulada e de outros fatores clínicos.
Como se preparar no dia do tratamento?
Alguns hábitos podem facilitar a rotina.
O paciente deve:
- Comparecer no horário orientado
- Utilizar roupas confortáveis que facilitem o acesso à fístula ou ao cateter
- Informar à equipe qualquer sintoma diferente
- Levar a relação atualizada dos medicamentos quando solicitado
- Seguir as orientações sobre alimentação e líquidos
Medicamentos não devem ser suspensos ou modificados por conta própria no dia da sessão. Alguns podem exigir ajustes de horário, mas essa decisão deve ser tomada pela equipe responsável.
Alimentação antes e durante o tratamento
A alimentação do paciente com insuficiência renal precisa ser individualizada.
Dependendo dos exames e da condição clínica, pode ser necessário controlar nutrientes como:
- Sódio
- Potássio
- Fósforo
- Proteínas
As necessidades também podem mudar depois que o tratamento dialítico é iniciado.
Por isso, dietas muito restritivas feitas sem orientação podem causar problemas nutricionais. O acompanhamento com nutricionista especializado em doença renal ajuda a encontrar um equilíbrio entre as restrições necessárias e uma alimentação adequada.
E a quantidade de água?
Esse é um dos pontos que mais geram dúvidas.
Quando os rins deixam de eliminar líquidos adequadamente, beber além da quantidade recomendada pode provocar:
- Inchaço
- Aumento da pressão arterial
- Falta de ar
- Maior ganho de peso entre as sessões
- Sobrecarga cardiovascular
Por outro lado, a restrição não deve ser definida pelo próprio paciente.
A quantidade adequada depende, entre outros fatores, do volume de urina que a pessoa ainda produz e das condições clínicas. O nefrologista e o nutricionista devem orientar individualmente.
É normal sentir alguma coisa depois da sessão?
A resposta ao tratamento varia.
Algumas pessoas podem apresentar:
- Cansaço
- Tontura
- Queda da pressão arterial
- Câimbras
- Dor de cabeça
- Náuseas
Esses sintomas não devem ser considerados inevitáveis. Quando acontecem, é importante comunicá-los à equipe, pois ajustes na retirada de líquidos, na prescrição ou em outros aspectos do tratamento podem ser necessários.
Na hemodiafiltração, determinadas características da técnica podem favorecer melhor tolerância hemodinâmica em alguns pacientes, mas os resultados variam e precisam ser avaliados individualmente.
Posso continuar trabalhando e realizando minhas atividades?
O início da hemodiálise/hemodiafiltração exige adaptação, mas isso não significa necessariamente abandonar todas as atividades habituais.
Muitos pacientes conseguem continuar trabalhando, estudando, convivendo com familiares e realizando atividades físicas compatíveis com sua condição.
A organização da rotina deve considerar:
- Horários das sessões
- Tempo de deslocamento
- Como o paciente se sente após o tratamento
- Alimentação e medicamentos
- Períodos adequados de descanso
Conversar com a equipe sobre trabalho, estudos e compromissos pessoais ajuda a construir uma rotina mais sustentável.
Atividade física durante o tratamento é possível?
Para muitos pacientes, sim.
A atividade física, quando autorizada e adaptada à condição clínica, pode ajudar na força muscular, capacidade funcional, saúde cardiovascular e bem-estar emocional.
A intensidade e o tipo de exercício devem considerar fatores como idade, condição cardiovascular, acesso vascular e limitações individuais.
A preparação emocional também importa
Iniciar um tratamento contínuo pode provocar medo, ansiedade, tristeza ou preocupação com a perda de autonomia.
Essas reações merecem espaço no acompanhamento.
O suporte psicológico pode ajudar o paciente a:
- Compreender e elaborar as mudanças na rotina
- Lidar com ansiedade relacionada às sessões
- Manter vínculos sociais e atividades importantes
- Desenvolver estratégias de adaptação
- Participar ativamente das decisões sobre o próprio cuidado
A família também pode precisar de orientação para oferecer apoio sem retirar desnecessariamente a autonomia do paciente.
Quais sinais devem ser comunicados à equipe?
Durante o acompanhamento, é importante informar alterações como:
- Febre ou calafrios
- Falta de ar
- Inchaço acentuado
- Dor no peito
- Tontura ou fraqueza intensa
- Sangramento persistente no acesso vascular
- Vermelhidão, secreção ou dor no local do cateter ou da fístula
- Alteração importante na quantidade de urina
Sintomas intensos ou de início súbito podem exigir avaliação médica imediata.
O acompanhamento contínuo faz parte do tratamento
A hemodiálise/hemodiafiltração não se resume ao período em que o paciente permanece conectado ao equipamento.
O acompanhamento inclui exames periódicos, controle da anemia, avaliação nutricional, monitoramento do acesso vascular, controle da pressão arterial e análise da adequação do tratamento.
Quando indicado, o paciente também pode ser avaliado para transplante renal.
O cuidado da Clínica Renal Brasil
A Clínica de Nefrologia Renal Brasil, localizada em São Paulo, acompanha pacientes em diferentes fases da insuficiência renal, desde a avaliação nefrológica até a terapia renal substitutiva.
Entre os serviços oferecidos estão:
- Consultas nefrológicas
- Hemodiálise
- Hemodiafiltração
- Diálise peritoneal
- Acompanhamento pré e pós-transplante renal
- Acompanhamento por equipe multidisciplinar
Com equipe experiente, atendimento humanizado e infraestrutura moderna, o cuidado busca preparar o paciente não apenas para a primeira sessão, mas para todas as mudanças que acompanham essa nova etapa.
Quanto mais informações o paciente tiver antes de iniciar a hemodiálise/hemodiafiltração, maior tende a ser sua participação nas decisões e nos próprios cuidados. Tirar dúvidas com a equipe, preparar o acesso vascular quando possível, compreender as orientações sobre alimentação e líquidos e conversar sobre os impactos emocionais e cotidianos são partes importantes dessa preparação.